O consumo dos espaços no Brasil e a Democracia

As classes sociais no Brasil foram se distanciando conforme o consumo foi aumentando, e hoje, cada vez mais, o que se vê é a separação da sociedade entre espaços para ricos e espaços para pobres. Não existe mais espaço público; aliás, até existe; mas o conceito foi deturpado.

Antigamente, bastava uma bola de futebol para que filhos de pais ricos e filhos de pais pobres compartilhassem um momento de diversão, mas o momento foi se distanciando. Conforme os espaços urbanos iam se expandindo, pressionando os terrenos “baldios”, até os não “baldios”, cedidos por propriedades privadas, teriam que ser escolhidos; entre serem usados para o capital ou serem usados para o social. Acabou ficando a primeira opção, a de ser usado pelo capital, pois de acordo com o movimento migratório campo-cidade, o capital e a demanda por moradia acabaram saturando os únicos espaços ainda restantes, prejudicando o aprendizado da democracia entre as classes.

Este modelo de consumo dos espaços urbanos, a favor do capital infinito ante o social necessário, vai fazendo com que a sociedade brasileira fique segregada, ocasionando um modelo camarotizado, em que os de maior poder aquisitivo não se misturam, porque o que importa para o mercado é capitalizar o poder aquisitivo dessas pessoas e, muitas vezes, até especular sobre um valor, distanciando não só a possibilidade dos que possuem um renda econômica inferior de se inserirem na sociedade, como também a prática da civilidade e da tolerância entre as classes.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A discrepância da interação social e econômica deve ser combatida com a presença do Estado na revisão de contratos de uso dos espaços urbanos; regulamentação de áreas abandonadas; e a principal, legitimar o ensino da constituição nas escolas, inclusive a parte na qual diz que a propriedade deveria exercer a sua função social, salientando que a função social deve ser de interação, independente da classe social do indivíduo.

-Bom…, estamos em 2020! E não é o que parece!

Autor: Ricardo Comiotto

Pesquisador autônomo e apreciador de música!

Uma consideração sobre “O consumo dos espaços no Brasil e a Democracia”

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