Resenha: música “Sob um Céu de Blues”

A fumaça cinza das fábricas me dá um peso na Alma

Os Cascavelletes

Esse é um trecho da música “Sob um Céu de Blues” da banda de rock gaúcha “Os Cascavelletes”. A música fala das aflições e coisas aparentemente aleatórias em torno do sentimento de um personagem, por ter sido abandonado por sua garota em uma estação de trem, possui uma introdução violonística bem “basicona” e uma guitarra de fundo quase imperceptível soando acordes ao estilo de blues, acompanhada de uma interpretação vocálica do vocalista (óbvio né! dããnnnn..!) bregamente reflexiva que, se ficasse tocando a madrugada inteira como música de fundo de um bar ninguém notaria, e viajaria no pensamento construindo várias histórias; roteiros e etc… até o amanhecer, ainda mais se você tiver um papel e uma caneta no bolso, ou mesmo aqueles guardanapos de papel que ficam em cima da mesa e que as vezes funcionam para fazer rascunhos (uma hora você iria ter que pedir mais…_Cerveja ou guardanapo de papel?!… Não sei! _isso eu vou deixar para a sua imaginação).

Obs:

Se dirigir, NÃO BEBA!
Se não dirigir, BEBA!

Bom dia Sol nascente
Eu vim pra contar minha triste história
Minha garota me abandonou
Numa estação de trem

Sob um céu de blues
Sob um céu de blues

Eu vou bater, eu vou bater
E vou quebrar a tua janela
Eu vou rolar com os bêbados
Pelas ruas imundas

Sob um céu de blues
Sob um céu de blues

Baby, aonde está você?
Aonde você foi?
Me arranje uma bebida forte
E uma companhia na cama

Sob um céu de blues (sob um céu de blues)
Toda a minha desgraça (sob um céu de blues)
A dança das minhas lágrimas (sob um céu de blues)
Sob um céu de blues (sob um céu de blues)

Existe uma estrada
Que me leva ao meu destino
Existe uma placa
Que me diz que eu to sozinho

Sob um céu de blues (sob um céu de blues)
Toda a minha desgraça (sob um céu de blues)
A dança das minhas lágrimas (sob um céu de blues)
Sob um céu de blues (sob um céu de blues)

A fumaça cinza das fábricas
Me dá um peso na alma
É como se eu tivesse carregando
Cem toneladas de desilusões

Sob um céu de blues (sob um céu de blues)
Toda a minha desgraça (sob um céu de blues)
A dança das minhas lágrimas (sob um céu de blues)
Sob um céu de blues (sob um céu de blues)

Sob um céu de blues (sob um céu de blues)
Sob um céu de blues (sob um céu de blues)
Sob um céu de blues (sob um céu de blues)

Sob Um Céu de Blues, Os Cascavelletes

Mas o quê que tem a ver a “fumaça cinza das fábricas” com o “minha garota me abandonou”?
Nada! Se fosse descartado os elementos que fazem parte do ambiente figurativo em que se desenrola a história da música, a saber, a “estação de trem“; as “ruas imundas“; e a “bebida forte” – que apesar de a letra não citar um bar propriamente dito – em composição com o ‘rolar com os bêbados pelas ruas imundas‘ faz dessas ruas como se fosse um grande bar, onde ocorrem os devaneios do personagem, por vezes sufocantes e cinzentos, tal como a fumaça cinza das fábricas, que é como se ele “tivesse carregando cem toneladas de desilusões.
Talvez o que o personagem quisesse dizer é que, o amor adolescente, ou a paixão (elementos que aparecem implicitamente em “E uma companhia na cama“) as vezes é como uma fábrica que provoca desilusões, e, aquela bebedeira toda não estava lhe fazendo bem (ou talvez tava, caso o personagem fosse real e tivesse de fato escrito a letra dessa música em um bar), ou então, hipoteticamente, a fumaça cinza das fábricas poderia ser uma coisa que lhe incomodava, e ele colocou isso no final da letra pra desanuviar um pouco desse negócio de ser abandonado pela sua garota na estação de trem e etc… Enfim, acho que essa música é boa para falar de outras coisas do que dela própria – apesar de que essa mistura de sentimentos e elementos figurativos faz todo sentido, se analisado sob a ótica do desenrolar da história do personagem.